Neferotepe I
| Neferotepe I | |
|---|---|
Estátua de Neferotepe I, Museu Arqueológico de Bolonha | |
| Faraó | |
| Reinado | 1747–1736 a.C. ou 1742–1733 a.C. |
| Predecessor | Sebecotepe III |
| Sucessor | Sebecotepe IV |
| Dados pessoais | |
| Morte | Médio Império |
| Sepultamento | KV16, Vale dos Reis |
| Consorte | Senebsen |
| Dinastia | XIII dinastia egípcia |
| Pai | Haankhef |
Khasekhemré Neferotepe I foi um faraó egípcio da metade da XIII Dinastia, governando durante a segunda metade do século XVIII a.C., em um período que os estudiosos classificam como o final do Médio Império ou o início do Segundo Período Intermediário, dependendo da interpretação adotada. É um dos soberanos mais bem documentados da XIII Dinastia e de acordo com o Papiro de Turim, reinou por aproximadamente 11 anos.[1]
Neto de um cidadão tebano sem origem real e pertencente a uma família de tradição militar, a relação de Neferotepe I com seu predecessor, Sebecotepe III, permanece incerta, sendo possível que tenha assumido o trono por usurpação. É provável que tenha sido contemporâneo de Zinrilim, rei de Mari, e de Hamurábi, rei da Babilônia.[2]
Pouco se conhece sobre os acontecimentos de seu reinado, que durou cerca de uma década. O documento mais importante preservado desse período é uma estela encontrada em Abidos, que relata a confecção de uma imagem do deus Osíris. Segundo a inscrição, Neferotepe determinou que a estátua fosse produzida "conforme os deuses haviam ordenado no princípio dos tempos".[1][2]
Nos últimos anos de seu governo, Neferotepe I compartilhou o trono com seu irmão Sihathor, em uma corregência que provavelmente durou de alguns meses a cerca de um ano. Sihathor morreu pouco antes de Neferotepe, que possivelmente nomeou outro irmão, Sebecotepe IV, como corregente. Pouco depois da morte de Neferotepe I, Sebecotepe IV tornou-se faraó e governou o Egito por quase uma década. Os reinados dos dois irmãos representam o auge da XIII Dinastia.[3]
Origens
Neferotepe I parece ter pertencido a uma família não real originária de Tebas, com tradição militar. Seu avô chamava-se Nehy e possuía o título de "oficial de um regimento urbano". Nehy era casado com uma mulher chamada Senebtisy. Nada se sabe sobre ela além do fato de possuir o título honorífico de "senhora da casa". O único filho conhecido do casal foi Haankhef.[1][2]
Haankhef aparece constantemente nas fontes com os títulos de "pai do deus" e "portador do selo real", enquanto sua esposa Kemi é identificada como "mãe do rei". Esses títulos indicam que ambos não pertenciam à família real. A filiação de Neferotepe I é confirmada por diversos escaravelhos encontrados em El-Lahun, nos quais Haankhef é explicitamente identificado como seu pai. O mesmo parentesco também é registrado no Cânone de Turim, uma lista de reis compilada no início do período raméssida que constitui a principal fonte histórica para os soberanos dessa época.[1][2]
Essa referência é considerada excepcional, pois o Cânone de Turim normalmente menciona apenas os faraós, excluindo pessoas sem ascendência real. Além de Haankhef, a única outra exceção conhecida é o pai de Sebecotepe II.[1][2]
Os egiptólogos observaram que, em vez de ocultarem sua origem não real, Neferotepe I, seu predecessor Sebecotepe III e seu sucessor Sebecotepe IV fizeram questão de proclamá-la em estelas e escaravelhos. Essa atitude contrasta com a tradição egípcia, segundo a qual a legitimidade de um novo faraó estava fundamentada principalmente em sua descendência real.[1][2]
Uma possível explicação é que esses reis procuravam se dissociar de seus predecessores imediatos, especialmente de Sete Meribré, cujos monumentos foram posteriormente usurpados e deliberadamente danificados. As razões para essa prática, contudo, permanecem desconhecidas.[1][2]
Descendência e sucessão

Inscrições encontradas em Assuã indicam que Neferotepe I teve pelo menos dois filhos, chamados Haankhef e Kemi, em homenagem a seus próprios pais. A mãe dessas crianças era uma mulher chamada Senebsen. Também é possível que tenha tido outro filho, chamado Wahneferotepe. Apesar disso, nos últimos meses de seu reinado, Neferotepe nomeou seu irmão Sihathor como corregente. Quando ambos morreram praticamente ao mesmo tempo, foram sucedidos por outro irmão, Sebecotepe IV.[4]
Uma estela de Sebecotepe IV (Cairo JE 51911), originalmente instalada no templo de Amon em Carnac, registra que o rei nasceu em Tebas:
| “ | Minha majestade veio à Cidade do Sul porque desejava contemplar o augusto deus; esta é a cidade onde nasci. [...] Vi o poder de Sua Majestade (Amon) em todas as festividades, quando ainda era uma criança incapaz de compreender plenamente.[1] | ” |
Da mesma forma, é provável que Neferotepe I também tenha nascido em Tebas, embora a capital do Egito durante a XIII Dinastia continuasse sendo Itjtawy, localizada no norte do país, nas proximidades da atual aldeia de el-Lisht.[1]
Reinado
Artefatos
Neferotepe I é conhecido por um número relativamente elevado de objetos arqueológicos encontrados em uma vasta área geográfica, que se estende desde Biblos, ao norte, até as fortalezas egípcias de Buhen e Mirgissa, na Baixa Núbia, ao sul. Seus vestígios também foram encontrados em diversas regiões do Egito, sobretudo no sul do Alto Egito.[1]
No Baixo Egito, há apenas um testemunho conhecido de seu reinado: um escaravelho encontrado em Tell el-Yahudiya. Entre os objetos atribuídos ao faraó estão mais de sessenta escaravelhos, dois selos cilíndricos, uma estátua proveniente de Elefantina e onze inscrições rupestres encontradas em Uádi el-Shatt el-Rigal, na ilha de Sehel, em Konosso e em Filas. Essas inscrições registram membros da família de Neferotepe, além de dois altos funcionários que serviram durante seu reinado: o "conhecido real" Nebankh e o tesoureiro Senebi.[1]
Também são conhecidas duas estelas provenientes de Abidos. Uma delas, originalmente pertencente ao rei Ugafe e reutilizada por Neferotepe no quarto ano de seu reinado, proíbe a construção de túmulos ao longo da via processional sagrada dedicada ao deus Upuaut. Em Carnaque, foram descobertos dois hieróglifos contendo duas estátuas de Neferotepe cada um, além de um pedestal com os cartuchos reais de Neferotepe I e Sebecotepe IV.[1]
Há ainda diversos achados provenientes da região do Faium, onde se localizava a capital egípcia na época. Entre eles destaca-se uma pequena estátua do faraó dedicada aos deuses Sobek e Hórus de Shedet, atualmente preservada no Museu Arqueológico de Bolonha.[1]
Listas reais
Além das evidências contemporâneas de seu reinado, Neferotepe I também figura na 34.ª posição da Lista real de Carnaque e na coluna 7, linha 25, do Papiro de Turim. Segundo o Papiro de Turim, seu reinado durou aproximadamente 11 anos e entre um e quatro meses, sendo um dos mais longos da XIII Dinastia. Apenas Merneferré Ai, que reinou cerca de 23 anos, e possivelmente Sebecotepe IV, com um reinado estimado entre nove e doze anos, governaram por períodos comparáveis dentro dessa dinastia.[1]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Ryholt, Kim (1997). The Political Situation in Egypt During the Second Intermediate Period, c.1800–1550 BC. Copenhagen: Carsten Niebuhr Institute Publications. p. 34. ISBN 978-8772894218
- ↑ a b c d e f g Rice, Michael (1999). Who is who in Ancient Egypt. Londres: Routledge. ISBN 978-0415154482
- ↑ a b Petrie, Flinders (2024). Scarabs and Cylinders with Names. Oxford: Oxbow Books Limited. p. 130. ISBN 979-8888570029
- ↑ Dewachter, Michel (1976). «Le roi Sahathor et la famille de Neferhotep I». Paris. Revue d'égyptologie: 66–73. ISSN 0035-1849
| Neferotepe I XIII Dinastia c. 1747–1736 a.C. | ||
|---|---|---|
| Precedido por Sebecotepe III |
Faraó 1747–1736 a.C. |
Sucedido por Sebecotepe IV |
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