Western feijoada

Western feijoada, bangue-bangue à brasileira,[1][2][3] faroeste caboclo,[4][5][6][7] e faroeste tupiniquim[8] são designações para o subgênero do western produzido no Brasil, com manifestações no cinema, na televisão, na literatura e nos quadrinhos. A ambientação predominante é o sertão nordestino vertente conhecida como nordestern ou western macaxeira, mas nem todas as obras do gênero se passam em cenários brasileiros.

Terminologias

As designações western feijoada e western macaxeira são alusões ao western spaghetti italiano, substituindo o prato da culinária italiana por referências gastronômicas brasileiras. A expressão western feijoada foi popularizada pelo pesquisador e jornalista Rodrigo Pereira,[9] autor da tese de mestrado[10] Western Feijoada: o faroeste no cinema brasileiro, defendida na Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2002, embora já fosse utilizada nas décadas de 1970[11] e 1980.[12] Enquanto feijoada brasileira, remete à cozinha nacional de forma ampla, macaxeira, nome pelo qual a mandioca é conhecida no Norte e Nordeste, delimita a expressão regional do gênero, associando-o diretamente ao sertão nordestino e à vertente do nordestern.[13] O termo nordestern tem criação é atribuída ao crítico de cinema potiguar Salvyano Cavalcanti de Paiva, que o empregou nos anos 60 e 70 nas páginas jornal Correio da Manhã, para designar os filmes brasileiros inspirados no faroeste e protagonizados por cangaceiros, volantes, jagunços e outros personagens do sertão.[4][3] Assim como western feijoada e western macaxeira, a expressão bangue-bangue à brasileira também dialoga com o cinema italiano, uma vez que os spaghetti westerns são conhecidos como bangue-bangue à italiana.[14]

faroeste caboclo, embora tenha se popularizado a partir da canção homônima composta por Renato Russo e gravada banda Legião Urbana, lançada em 1987, que em 2013 foi adaptada para o cinema no longa-metragem de mesmo nome, dirigido por René Sampaio e também definido como um neo-western,[15][16] não tem nela sua origem exclusiva.Registros mostram que o termo já era utilizado por alguns jornais na década de 1970 para definir certos filmes do gênero.[17][18][19] Mais antiga ainda é a variante western caboclo, que aparece em publicações dos anos 1960 e 1970.[20][21][22]

Rodrigo Pereira dividiu o faroeste brasileiro em três subgêneros regionais: o nordestern, sobre o cangaço dos séculos XIX e XX, o bangue-bangue rural, situado no interior paulista, mineiro e nordestino e os faroestes épicos, que giram em torno de guerras civis, como a dos Farrapos ou os confrontos com beatos no Nordeste.[4][23] Ele propõe uma definição ampla do gênero western, associando-o não a uma ambientação geográfica específica, mas a uma estrutura narrativa recorrente. Segundo ele, o faroeste caracteriza-se fundamentalmente pelo conflito entre o Bem e o Mal em um território em vias de civilização, marcado pela presença de estradas, ferrovias, armas de fogo e por um mundo que, embora próximo da modernidade, ainda não se configura como tal. Tais elementos, para o autor, são suficientes para classificar um filme como western, independentemente de sua localização. Pereira exemplifica com o filme italiano Django não Perdoa, Mata, ambientado na Espanha, cuja construção narrativa é essencialmente western.[10]

Mídia

Filmes

Anúncio do filme Um Bravo do Nordeste publicado no Jornal do Recife (6 de agosto de 1931).

A influência dos westerns pode ser rastreada ainda no cinema mudo com o filme Dioguinho de 1917, baseado em um bandido paulistano de mesmo nome,[7] o filme é considerado perdido.[24] Em 2014, o pesquisador Rodrigo Pereira listou nada menos que 103 produções exibidos em circuito comercial.[9]

O primeiro registro de filme dedicado aos cangaceiros teria sido o filme pernambucano Filho sem mãe (1925), produzido pela Planeta-Film e dirigido por Tancredo Seabra.[4] No mesmo ano, outro filme pernambucano foi lançado: Retribuição, com roteiro e direção de Gentil Roiz e fotografia de Edson Chagas (sócios da Aurora-Film),[25] A obra incorporava elementos típicos dos filmes de aventura, do faroeste e dos seriados cinematográficos.[26] Em 1931, foi lançado o filme alagoado Um Bravo do Nordeste, dirigido por Edson Chagas, também considerado um filme perdido.[27]

Um dos primeiros filmes do subgênero nordestern é O Cangaceiro, lançado em 1953. Produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o filme foi dirigido por Lima Barreto e protagonizado por Alberto Ruschel, Marisa Prado, Milton Ribeiro e Vanja Orico. Seu roteiro foi escrito pelo próprio Barreto, com diálogos da escritora cearense Rachel de Queiroz.[28] No mesmo ano, Queiroz também escreveu a peça Lampião, inspirada na temática do cangaço.[29] A autora voltaria a abordar esse universo em seu último romance, Memorial de Maria Moura, publicado em 1992.[30] O Cangaceiro foi o estopim para o nordestern e também para os westerns feijoadas como um todo. A aproximação entre esse subgênero e o western tradicional se justifica pela semelhança entre os cenários do Velho Oeste americano e a representação cinematográfica do sertão brasileiro, vastas paisagens abertas, comunidades remotas, grupos armados, perseguições, tocas, disputas de honra, violência particular e a fragilidade das instituições diante da lei.[31]

Assim como os fora-da-lei do Velho Oeste foram romantizados pela literatura e pelo cinema como símbolos de liberdade, os cangaceiros, em especial Lampião, tiveram suas imagens construídas não apenas como criminosos, mas como vingadores do povo nordestino,[32] fenômeno que Eric Hobsbawm classificou como "banditismo social": a violência do bandido ressignificada como resistência contra a opressão dos poderosos.[33] Trata-se de um arquétipo recorrente, presente já em Robin Hood, celebrado em baladas medievais como justiceiro que roubava dos ricos para dar aos pobres,[34] dinâmica similar à dos folhetos de cordel nordestinos, que derivam da poesia medieval europeia[35] e forjaram a imagem do cangaceiro como herói popular.[36] A oscilação do cangaceiro entre o herói e o vilão nos filmes reflete a própria natureza ambígua do fenômeno histórico e a sua poderosa ressignificação cultural, que transita entre a realidade violenta dos bandos e o mito romântico do justiceiro social.[37]

Alberto Ruschel e Milton Ribeiro em cena do filme O Cangaceiro (1953)

O impacto de O Cangaceiro logo se espalhou por outras produções. Em 1954, Maurício Morey, que havia participado como figurante no filme de Lima Barreto, integrou o elenco de Da Terra Nasce o Ódio, dando início a uma trajetória que, nas palavras do pesquisador Rodrigo Pereira, o consagraria como o pioneiro dos cowboys no cinema brasileiro, com atuações também em A Lei do Sertão (1956) e Homens sem Paz (1957).[4][10][38]

Já em 1955, os astros de O Cangaceiro, Alberto Ruschel e Milton Ribeiro atuaram em Os Três Garimpeiros, obra classificada por Pereira como um faroeste épico passado durante a Guerra do Paraguai.[4]

O mineiro Milton Ribeiro acabou se consolidando como o principal vilão dos nordesterns,[37] firmando seu nome como uma das figuras centrais do cinema de cangaço no Brasil, com trabalhos em produções como Arara Vermelha (no papel de Camura), A Morte Comanda o Cangaço (Capitão Silvério), O Cabeleira, Lampião, o Rei do Cangaço e Corisco, o Diabo Loiro, no qual interpretou Lampião.[39] Já o gaúcho Alberto Ruschel, intérprete do cangaceiro Teodoro em O Cangaceiro, dedicou os onze anos seguintes a viver heróis nos cenários áridos do Nordeste, no interior paulista e nos pampas gaúchos.[4]

O cineasta José Mojica Marins, conhecido mundialmente por sua icônica persona do terror Zé do Caixão, também se aventurou pelo gênero, dirigindo em 1958 o filme A Sina do Aventureiro.[40][38] Elle também realizou outros títulos nas décadas seguintes: O Diabo de Vila Velha (1965), no qual o ator Milton Ribeiro interpreta o personagem Lorenzo, e Dgajão Mata para Vingar (1972).[41]

Othon Bastos em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
Poster de Gringo - O Último Matador

Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, é um outro exemplo de nordestern, lançado em 1964 e influenciado por John Ford, diretor de Rastros de Ódio (The Searchers), trata-se de um dos expoentes do chamado Cinema Novo.[42] O personagem Antônio das Mortes encarna o tropo do caçador de recompensas contratado para eliminar cangaceiros, primeiro Corisco e seu bando em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e depois Coirana em O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969).[37][31] O pesquisador Rodrigo Pereira sustenta que Deus e o Diabo na Terra do Sol não se enquadraria propriamente como western, pois sua estrutura narrativa é dramática e não coloca o protagonista em um conflito claro entre Bem e Mal, ao contrário de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, classificado por ele como faroeste rural.[10]

Em 1969, Adolpho Chadler coescreveu, dirigiu e estrelou O Tesouro de Zapata, filme ambientado no México. O roteiro foi inicialmente escrito por René Martin, pseudônimo do escritor de livros de bolso Átila Ribeiro Martins, que, segundo Rodrigo Pereira, foi recrutado por Chadler para o projeto, tornando-se seu roteirista mais frequente. A trama acompanha Eufemio Zapata (Chadler) cruzando o México no encalço dos bandoleiros que raptaram Flores (Gilda Medeiros), viúva de seu irmão Emiliano Zapata, para obrigá-la a revelar o paradeiro de um tesouro saqueado pelas tropas revolucionárias.[43][38][44] em 1972, Chadler também dirigiu, roteirizou, estrelou e produziu Jerônimo, o Herói do Sertão, baseado na série de rádio de mesmo nome,[45] Segundo o pesquisador Rodrigo Pereira, o criador da radionovela, Moysés Weltman, escreveu o roteiro para preservar o tom infantil da obra (procedimento que também adotou nos quadrinhos da Rio Gráfica Editora).[46] René Martin recusou-se a colaborar por considerar a história antiquada. Na trama, Jerônimo (Chadler), Moleque Saci (Polico) e Aninha (Elizabeth Baker) enfrentam a viúva Tabarra (Yara Cortes) para recuperar um diamante roubado. Os radioatores originais, Milton Rangel, Cauê Filho e Dulce Martins, dublaram os personagens, criando a ilusão de que eram os próprios intérpretes em cena.[43] No mesmo ano, teve uma telenovela, estrelada por Francisco di Franco e exibida pela TV Tupi.

Tony Vieira (nome real Mauri de Oliveira Queiroz) foi um dos nomes mais representativos do western feijoada. Após atuar como coadjuvante nas em paródias do gênero como Panca de Valente (1968) e Uma Pistola para Djeca (1970), esse último, protagonizado por Mazzaropi,[38] Vieira protagonizou dois filmes emblemáticos do gênero ao dar vida ao personagem Caviúna em Quatro Pistoleiros em Fúria (1972) e na sequência Um Pistoleiro Chamado Caviúna (1972), ambos dirigidos pelo polonês Edward Freund.[38] Freund também dirigiu Trindade… é Meu Nome (1973), uma paródia ao personagem italiano Trinity (interpetado por Terence Hill), estrelado por David Cardoso.[38]

Vieira também estrelou e dirigiu produções que inovavam ao incorporar forte teor erótico ao gênero, como Gringo, o Último Matador (1972), A Filha do Padre (1975), Os Violentadores (1978) e Condenada por um Desejo (1981).[47]


Em 1974, David Cardoso estrelou Caingangue, fortemente inspirado em Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) de George Stevens.[38] A concepção original do projeto previa uma escalação ousada para o papel principal: um ator italiano consagrado no subgênero do spaghetti western. Entre os nomes cogitados estavam Giuliano Gemma, conhecido por sua atuação em Um Dólar Furado (Un dollaro bucato, 1965), de Giorgio Ferroni, Uma Pistola para Ringo (Una pistola per Ringo, 1965), de Duccio Tessari; e Anthony Steffen, intérprete de múltiplos westerns italianos não oficiais da franquia Django, como Django il bastardo (1969), de Sergio Garrone, e Django sfida Sartana (1970), de Pasquale Squitieri. Steffen, nascido de pai brasileiro e mãe italiana, chegou a ser considerado pela sua dupla ascendência.[38]

Em 1976 foi lançado o filme Terra Quente, estrelado por Custódio Gomes.[48]

O diálogo cultural com o imaginário do Velho Oeste se manifesta de maneira particular na música sertaneja. Por intermédio das transformações da música sertaneja moderna, que absorveu influências do country estadunidense, elementos da estética e do estilo de vida do cowboy foram importados e integrados à cultura caipira, notadamente nas regiões do interior de São Paulo[49] e do Grande Goiás. Essa fusão se refletiu em adereços como o chapéu e as botas, e em práticas como o rodeio, que se popularizaram no Brasil.[50] A dupla Léo Canhoto & Robertinho, assimilou essa estética do cowboy,[51] canções como Jack, o Matador evocam tropos dos westerns,[52] em 1977, a dupla estrelou o filme Chumbo Quente.[19]

Em 1981, surgiu A Volta de Jerônimo no Sertão dos Homens Sem Lei, dirigido por Agenor Alves e estrelado por Antônio Fonzar. A ficha técnica disponível na Cinemateca Brasileira, no entanto, não menciona Moysés Weltman, criador do personagem, nem faz referência a personagens como Aninha e Moleque Saci, e tampouco mantém qualquer vínculo com a produtora, a distribuidora ou a equipe criativa do filme de 1972. Essas ausências sugerem que a produção de 1981 não mantém relação direta com a obra original, funcionando antes como uma sequência espiritual ou uma releitura livre do que como uma continuação oficial.[53] Ao contrário do tom infantojuvenil do antecessor, o filme de 1981 apresenta cenas de sexo e violência, elementos que também o distanciam da obra original.[53][54] O filme conta, ainda, com a participação de Alberto Ruschel em seu último filme.[55]

Também em 1981 estreou o filme Conflito em San Diego, estrelado pela banda de rock Os Incríveis e dirigido por Maurício Miguel, o filme foi gravado em 1972.[56]

Em 1985, foi lançado o filmeOs Trapalhões no Reino da Fantasia, no qual a trupe ajuda uma freira interpretada por Xuxa e acaba parando em um cenário de faroeste, onde encontra o mocinho Beto Carrero,[57][58] personagem criado e interpretado pelo empresário e radialista João Batista Sérgio Murad. Murad se apresentava em shows[59] com a tradição iniciada por Buffalo Bill e continuada por Tom Mix e outros, em 1991, Murad realizou o sonho de transformar aquela experiência em um grande empreendimento e inaugurou o Beto Carrero World, na cidade de Penha (Santa Catarina), que se tornaria um dos maiores parques temáticos da América Latina.[60] Em 1986 sairia o filme Um Pistoleiro Chamado Papaco, que era uma paródia pornografica dirigida pelo diretor Mário Vaz Filho e estrelado por Fernando Benini.[61] Anos depois o filme viria viralizar na internet.[62]

Em 1987, Tony Vieira dirigiu o filme Calibre 12, estrelando Heitor Gaioti e João Amorim. O filme conta duas tramas paralelamente. A primeira é sobre um cantador que retorna a sua antiga cidade com a intenção de voltar pra sua antiga namorada. Porém a família que o odeia tem intenção de casar a garota com outro homem.[63] A segunda trama é sobre um garimpeiro que busca vingança contra uma gangue de punks sádicos que assassinaram sua família brutalmente.[64]

O filme Buena Sorte (1996), dirigido por Tânia Lamarca, é um exemplo de produção que explorara o universo dos rodeios e a cultura country no Brasil, o filme foi definido pela crítica como um autêntico western brasileiro que explora a cultura country e os costumes interioranos do Brasil, com suas paisagens e rodeios no interior de São Paulo.[10][65]

Em 1997 foi lançado o filme Homem Sem Terra: A Volta de João Amorim escrito e estrelado pelo próprio ator João Amorim e dirigido por Francisco Cavalcanti. O filme contém participações de atores conhecidos como José Mojica Marins e Pedro de Lara. O filme conta a história de um matuto que foi expulso de uma cidade por um coronel e anos depois ao retornar, toma conhecimento da morte de seus pais. Causado pelo mesmo coronel. O filme teve sua primeira exibição em Lages, terra-natal de Amorim, no Cine Marrocos no dia 7 de Fevereiro de 1997, contando com a presença da equipe do filme.[66]

Filmografia selecionada

Excluem-se os filmes do nordestern por já estarem listados no verbete.[55]

Ano Título Direção Formato ou vertente Observações
1917 Dioguinho Tancredo Seabra Filme silencioso Primeiro filme brasileiro influenciado pelos faroestes; obra perdida.
1923 Sofrer para Gozar E. C. Kerrigan[67] Filme silencioso
1925 Retribuição Gentil Roiz Filme silencioso Obra perdida
1931 Um Bravo do Nordeste Edson Chagas Filme silencioso Obra perdida
1939 Cavaleiro da Serra Lourival Miranda Duarte[68] Filme silencioso Obra perdida
1954 Da Terra Nasce o Ódio Antoninho Hossri Filme sonoro
1954 Matar ou Correr Carlos Manga Filme sonoro Comédia estrelada por Oscarito e Grande Otelo.
1955 Os Três Garimpeiros Gianni Pons Filme sonoro
1956 A Lei do Sertão Antoninho Hosrri Filme sonoro
1957 Paixão de Gaúcho Walter George Durst Filme sonoro Adaptação de O Gaúcho de José de Alencar estrelado por Alberto Ruschel.
1957 Dioguinho Carlos Coimbra Filme sonoro
1957 Homens sem Paz Lorenzo Serrano Filme sonoro
1958 A Sina do Aventureiro José Mojica Marins Filme sonoro
1964 Sertão Bravio Armando Sábato Filme sonoro
1964 O Diabo de Vila Velha José Mojica Marins Filme sonoro
1965 No Tempo dos Bravos Wilson Silva[69] Filme sonoro
1967 O Matador Amaro César, Egydio Eccio Filme sonoro
1968 Panca de Valente Luiz Sergio Person Filme sonoro Paródia
1969 Gregório 38 Rubens Prado Filme sonoro
1969 O Tesouro de Zapata Adolpho Chadler Filme sonoro
1969 Meu Filho, Cruel Aventureiro Custódio Gomes Filme sonoro
1969 Uma Pistola para Djeca Ary Fernandes Filme sonoro Comédia estrelada por Mazzaropi
1971 Sangue em Santa Maria Rubens Prado Filme sonoro
1971 Lista Negra para Black Medal Guga de Oliveira Filme sonoro
1972 Jerônimo, o Herói do Sertão Adolpho Chadler Filme sonoro Baseado na radionovela de mesmo nome.
1972 Gringo, o Último Matador Tony Vieira Filme sonoro
1972 Quatro Pistoleiros em Fúria Edward Freund Filme sonoro
1972 Um Pistoleiro Chamado Caviúna Edward Freund Filme sonoro Sequência de Quatro Pistoleiros em Fúria.
1972 Dgajão Mata para Vingar José Mojica Marins Filme sonoro
1972 Rogo a Deus e Mando Bala Osvaldo Oliveira Filme sonoro
1972 O Grande Xerife Pio Zamuner Comédia estrelada por Mazzaropi
1972 Ringo a Caminho do Inferno Sebastião Rosa Filme sonoro
1973 Trindade… é Meu Nome Edward Freund Filme sonoro
1974 Gregório volta pra matar Rubens Prado Filme sonoro Sequência de Gregório 38
1974 Noiva da Noite Lenita Perroy Filme sonoro
1974 A Última Bala Luigi Picchi Filme sonoro
1974 Caingangue Carlos Hugo Christensen Filme sonoro
1975 A Filha do Padre Tony Vieira Filme sonoro
1976 Terra Quente Custódio Gomes Filme sonoro
1978 Chumbo Quente Clery Cunha Filme sonoro Estrelado pela dupla sertaneja/country Léo Canhoto & Robertinho.
1978 J.S. Brown, o Último Herói José Frazão Filme sonoro
1981 Conflito em San Diego Maurício Miguel Filme sonoro Estrelado pela banda de rock Os Incríveis, gravado em 1972.
1981 A Volta de Jerônimo no Sertão dos Homens Sem Lei Agenor Alves Filme sonoro Espécie de sequência espiritual de Jerônimo, o Herói do Sertão.
1987 Calibre 12 Tony Vieira Filme sonoro
1991 Gaúcho Negro Jessel Buss Filme sonoro Filme sobre um gaúcho mascarado tipo Zorro, estrelado pelas Paquitas e o Gaúcho da Fronteira.[70]
1994 Gringo Não Perdoa, Mata Afonso Brazza Filme sonoro
1996 Buena Sorte Tânia Lamarca Filme sonoro
1997 Homem Sem Terra: A Volta de João Amorim Francisco Cavalcanti Filme sonoro
2013 Faroeste Caboclo René Sampaio Filme sonoro Baseado na canção de mesmo nome da banda Legião Urbana.
2015 Faroeste Abelardo de Carvalho Filme sonoro Baseado no romance Bestiário do próprio diretor, inspirado em Luís Garcia, visto como herói por um e vilão por outros.[71]
2018 Cavalgada dos Justos Alex Pizano Filme sonoro

Televisão

Um dos primeiros exemplos na televisão é a telenovela Irmãos Coragem (1970) da TV Globo, ambientada em Goiás.[72][73] Em 1995, foi lançado um remake da telenovela Irmãos Coragem, lançado em 1995.[74] O programa de rádio Jerônimo, o Herói do Sertão, criado por Moysés Weltman em 1953 é um exemplo de nordestern que foi adaptado para a televisão em duas telenovelas: uma produzida pela TV Tupi em 1972, intitulada Jerônimo, o Herói do Sertão,[75] e outra pelo SBT em 1984, chamada apenas de Jerônimo, em ambas as produções, Jerônimo foi interpetado por Francisco Di Franco.[76]

A primeira minissérie da televisão brasileira foi Lampião e Maria Bonita (1982) escrita por Aguinaldo Silva com Doc Comparato, exibida pela TV Globo.[77]

Na Rede Manchete, destaca-se a telenovela A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990) cuja ambientação não tinha cenário fixo,[78] outra obra que aborda rodeios rodeios e a cultura country no Brasil,[79] a série teve participação de Beto Carrero.[80]

Há também casos em que a ambientação não é o Brasil, mas o próprio Oeste americano, como a telenovela Bang-Bang (2005) de Mário Prata, produzida pela TV Globo, que se passava no Velho Oeste dos Estados Unidos.[6][81] O diretor Luiz Fernando Carvalho utilizou a expressão western feijoada em entrevista: Estamos trabalhando com o faroeste que os filmes americanos nos venderam, mas não há intenção de reproduzir o western propriamente dito. Atribuímos a esse universo um olhar nosso, com uma certa latinidade. Queremos fazer uma novela com a cara da gente. Não existe western espaguete? Então, o nosso é feijoada.[82]


As duas versões de Jerônimo produzidas para a televisão, a telenovela Bang-Bang (2005), usou como cenário, uma fictícia cidade norte-americana.

Literatura

Oeste americano foi amplamente retratado em dime novels e revistas pulp, publicações de baixo custo que popularizaram narrativas de cowboys, índios e pistoleiros para um público massivo. No Brasil, o equivalente mais próximo a essa literatura barata, em termos de circulação popular e linguagem acessível, foram os folhetos de poesia de cordel e os livros de bolso (ou bolsilivros).[83] Estes últimos, publicados no formato de 10 x 15 cm, tiveram na Editora Monterrey, fundada pelos espanhóis Luis de Benito e Juan Fernandes Salmeron, uma de suas principais expoentes, publicando inicialmente autores espanhóis com pseudônimos em inglês. Em 1956, a editora lançou a série de faroeste O Coyote, um herói mascarado mexicano nos moldes do Zorro, criado pelo espanhol José Mallorquí.[84]

De acordo com R. F. Lucchetti, seu livro O Mistério da Mina Abandonada seria o primeiro livro de bolso de faroeste brasileiro, lançado em 1968 pela Editora Prelúdio, de São Paulo.[85] Lucchetti assinou como Frank Jordan.[86] Fundada na década de 1950 e originalmente dedicada à literatura de cordel, a Prelúdio modernizou suas publicações ao substituir o tradicional formato 11 x 16 cm pelo 13,5 x 18 cm e trocar as capas em xilogravura por capas impressas em policromia.[87] com desenhos de quadrinistas como Sérgio Lima e Eugênio Colonnese.[88] Pela editora, o poeta Minelvino Francisco Silva publicou o folheto As Bravuras de Rocky Lane, inspirado no ator Rocky Lane.[89][90] Sua sucessora, a Editora Luzeiro, publico os folhetos O pistoleiro invencível (1973) de Manoel d'Almeida Filho e Jerônimo, o Grande Herói do Sertão (1974) de Caetano Cosme da Silva.[91]

A Monterrey investiu pesadamente em gêneros como espionagem e faroeste, depois de publicar somente autores espanhóis, recorreu a brasileiros, como Ryoki Inoue [92], Júlio Emílio Braz que usavam diversos pseudônimos[93] Antonio Ribeiro, por sua vez, costumava assinar como Tony Carson[94] Braz iniciou a carreira como roteirista de quadrinhos de terror na Vecchi e, mais tarde, consolidou-se como autor infantojuvenil.[95] A Monterrey publicava capas pintadas por artistas como José Luís Benicio da Fonseca. Sua produção não se limitou ao imaginário norte-americano: em 1970, a editora lançou, em dois volumes, Cinco Histórias Sangrentas de Lampião e Mais Cinco Histórias Sangrentas de Lampião, assinados por Nertan Macêdo.[96] Essa iniciativa foi continuada por outras editoras. A Bruguera, filial da editora espanhola Editorial Bruguera, por exemplo, republicou, por exemplo, republicou O Coyote. De acordo com Lucchetti, em 1963, a editora publicava nada menos que 21 títulos por mês, sendo 12 de faroeste. Em 1972, já com o nome Cedibra, passou a recorrer a autores brasileiros co pseudônimos,[97] como o próprio Lucchetti, Júlio Emílio Braz, que também publicou na Cedibra, além das editoras Margittai, BLC Edições, Nova Leitura.[92][98] Nova Leitura foi fundada em 1986 e, diferente da Monterrey e Cedibra, publicava somente autores brasileiros com pseudônimos.[99] Outro nome famoso pelas capas pintadas foi Antonino Homobono Balieiro, também conhecido por seu trabalho com quadrinhos,[85] que atuou para editoras como a Nova Leitura.[100] Destaca-se ainda a artista francesa Nicole Kirsteller, esposa de Ryoki Inoue, autora de diversas capas para a Monterrey e a Nova Leitura.[101]

Histórias em quadrinhos

De modo análogo ao que ocorreu no cinema, o faroeste também encontrou nas histórias em quadrinhos brasileiras um campo propício para apropriações e criações originais. Ao longo das décadas, autores como Gedeone Malagola, Edmundo Rodrigues, Eugênio Colonnese, Flavio Colin,[102] Wilson Vieira,[103] Rodolfo Zalla,[104] Pedro Mauro, entre outros, produziram histórias ambientadas tanto no Oeste norte-americano[104] quanto em cenários brasileiros, como o sertão e os pampas gaúchos.[105] Diferentemente do cinema e assim como a literatura, as histórias em quadrinhos permitiam aos autores representar livremente paisagens e contextos estrangeiros, sem as limitações de produção e orçamento inerentes às filmagens.

Em 1943, Péricles do Amaral criou para a rádio gaúcha Farroupilha o herói O Vingador, um cowboy mascarado inspirado no americano Lone Ranger (conhecido como Zorro ou Cavaleiro Solitário), programa patrocinado pela Colgate-Palmolive que também gerou um jornal com histórias em quadrinhos ilustradas por Fernando Dias da Silva.[46][106]

Também em 1953, José Lanzellotti lançou Raimundo, o Cangaceiro, publicado inicialmente na revista Aliança Juvenil, da Editora Aliança, e posteriormente em título próprio pela Pan Juvenil. Tal qual, Mlton Ribeiro, o personagem figura entre os primeiros cangaceiros retratados como protagonista heroico nos quadrinhos brasileiros.[107][108][109] Este, contudo, não foi o primeiro quadrinho sobre o cangaço. Em 1938, dois trabalhos com cangaceiros foram publicados: de um lado, a tira Vida de Lampeão, de Euclides Santos, na revista A Noite Ilustrada, trabalho que, no entanto, possuía caráter jornalístico e biográfico, configurando-se como um dos primeiros exemplos de jornalismo em quadrinhos no país.[110] de outro, o álbum de aventura João Tymbira Em Redor do Brasil, de Francisco Acquarone, publicado em uma edição extraordinária do jornal Correio Universal, no qual os cangaceiros do bando de Lampião figuraram como vilões.[111]

Seguindo uma prática comum nos Estados Unidos, onde atores de filmes de faroeste frequentemente eram transformados em protagonistas de revistas em quadrinhos, Gedeone Malagola criou uma série de histórias estreladas pelo ator Milton Ribeiro,[112] lançada em 1953, no mesmo ano do lançamento de O Cangaceiro, o personagem estreou na revista Aventuras no Sertão, publicada pela Editora Júpiter[113] e posteriormente na revista Vida Juvenil, da editora Vida Doméstica.[114] Nos quadrinhos, Ribeiro era retratado como um cangaceiro heroico, em contraste com a maioria de seus papéis no cinema. Pela mesma editora, o autor também criou séries como a cowgirl Jane West e o mascarado Sierra Lane, publicados na revista Aventuras No Far-West.[46][115] Além de Ribeiro, os cowboys cantores Paulo Bob e Bob Nelson também tiveram gibis,[46] o primeiro pela Tecnoprint (atual Ediouro) e o segundo pela Garimar.

A RGE (Rio Gráfica Editora) continuou publicando histórias de personagens que não tinham mais material inédito em seus países de origem, com tramas produzidas por autores locais.[102] Entre eles, destacam-se: Flecha Ligeira (por Walmir Amaral, José Menezes e José Evaldo de Oliveira)[46] e títulos da Atlas (atual Marvel) como Kid Colt (Walmir Amaral), Texas Kid (por Walmir Amaral e Joaquim de Oliveira Monte)[116][46] e o Cavaleiro Negro, que a a editora adaptou histórias do cowboy dos cinemas Durango Kid (que também era publicado pela EBAL) e do personagem espanhol Gringo para suprir a falta de material original, com algumas delas produzidas pelos brasileiros Walmir Amaral, Gutemberg Monteiro e Juarez Odilon, além de Primaggio Mantovi.[102]

Outros personagens continuados foram o ator Rocky Lane, este último sobretudo por meio do trabalho de Primaggio Mantovi.[102] o Cavaleiro Fantasma (Phantom Ranger), de origem australiana, ganhou histórias por Walmir Amaral e Milton Sardella.[46] O lendário Buffalo Bill teve revista edita pela RGE com capas por Lutz (Luiz Fernando Guimarães), Gutemberg, Walmir Amaral, Milton Sardella, entre outros.[117]

Flecha Ligeira (Straight Arrow) e Rocky Lane tiveram histórias brasileiras publicadas pela RGE. Já o Durango Kid, personagem interpretado por Charles Starrett em uma série de filmes, teve suas aventuras reaproveitadas pela mesma editora e publicadas no Brasil como se fossem histórias do Cavaleiro Negro da Marvel.

Além desses personagens reais e fictícios, oriundos do cinema, das HQs norte-americanas, a RGE também publicou um herói genuinamente local. Em 1957, o personagem de rádio Jerônimo, o Herói do Sertão, criado por Moysés Weltman, ganhou um gibi pela RGE, com textos do próprio Weltman, recorrendo a artistas que já atuavam nas publicações de personagens estrangeiros, tais como Edmundo Rodrigues,[46] Walmir Amaral, Juarez Odilon.[118] O personagem havia surgido originalmente em 1953, ainda no rádio.[119] No final da década de 1970, uma nova revista foi lançada pela Bloch Editores, com apenas três edições publicadas em formatinho, que republicaram as primeiras histórias desenhadas por Edmundo Rodrigues.[118]

Uma outra série inspirada no western em cenário brasileiro foi Juvêncio, o justiceiro do sertão da Rádio Piratininga. Ambos os personagens vestiam-se de forma próxima ao estereótipo do cowboy, com chapéus, botas, lenços e coldres,[120] Juvêncio, em particular, utilizava o tropo clássico do herói mascarado, ecoando figuras como o Zorro e o Cavaleiro Solitário.[121] Diferentemente do cangaceiro heroico retratado nas histórias de Milton Ribeiro, criadas por Gedeone Malagola, e de Raimundo, criado por José Lanzellotti, em Jerônimo e Juvêncio os cangaceiros eram representados predominantemente como antagonistas,[120][121] desempenhando papel equivalente ao dos bandoleiros e fora da lei dos westerns tradicionais. Em 1968, Juvêncio ganho uma revista em quadrinhos pela Ediora Prelúdio, uma editora que publicava folhetos cordel, a revista teve roteiros de Gedeone Malagola, R. F. Lucchetti, Helena Fonseca, Fred Jorge, Marta Douglas, Luís Carlos, C. M. Lôbo e F. de Assis,[122] e desenhos de Sérgio Lima, Rodolfo Zalla, Eugênio Colonnese e Mário Cafiero.[121] Além de Juvêncio, a editora publicou adaptações de cordéis em quadrinhos, entre elas O Romance do Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo Rezende[123] e A Chegada de Lampião no Inferno, de José Pacheco, ambas com desenhos de Sérgio Lima.[124] Jerônimo teve sua geografia reimaginada em cada mídia: enquanto nos quadrinhos as aventuras de Jerônimo se passavam no Nordeste brasileiro, nas duas telenovelas exibidas na TV, uma pela TV Tupi em 1972 e outra pelo SBT em 1984, Serro Bravo fica localizada no interior paulista.[125][126] Uma matéria sobre a radionovela publicada na revista Radiolândia em 1956, anterior portanto ao lançamento do gibi, já observava que, o programa não deixava claro em que região do país se localizava a trama.[127]

Capa de Katy Apache

Em 1961, a editora Outubro lançou um outro herói de faroeste chamado O Vingador, desenhado por Walmir Amaral, Edmundo Rodrigues,[128] José Delbo e Nico Rosso, [102] a série teve 40 edições pela Outubro e 20 pela sucessora, a Taika.[46] Na revista Clássicos do Faroeste, a editora publicou adaptações dos filmes Matar ou Morrer (High Noon) por Julio Shimamoto[129] e Os Brutos Também Amam (Shane) por Flávio Colin.[130][131]

Em 1963, Mauricio de Sousa, então responsável pelo suplemento infantojuvenil da Folha de S. Paulo, pediu a Julio Shimamoto que criasse uma tira de aventura para a publicação. O artista apresentou dois projetos: um ambientado no cangaço e outro centrado na figura do gaúcho, Optou por desenvolver O Gaúcho, decisão atribuída tanto à familiaridade que possuía com a cultura sul-rio-grandense quanto ao fato de que, em que, apesar de já existirem exceções, a representação predominante dos cangaceiros na cultura popular ainda era a de antagonistas, o que pode ter influenciado sua escolha.[132] Shimamoto conhecia o Rio Grande do Sul em razão de pesquisas realizadas durante seu trabalho na Cooperativa Editora de Trabalhos de Porto Alegre (CETPA), onde ilustrou A história do Rio Grande do Sul.[133] Sua formação também foi influenciada pela literatura regionalista, especialmente pelas obras O Tempo e o Vento, Ana Terra, Um Certo Capitão Rodrigo, O Ataque (Érico Veríssimo); Os Guaxos (Barbosa Lessa), No Galpão (Darcy Azambuja); Contos Gauchescos, Casos do Romualdo, Lendas do Sul, Terra Gaúcha (João Simões Lopes Neto), Os Farrapos (Walter Spalding).[134] Embora tenha deixado de lado o projeto sobre o cangaço naquele momento, Shimamoto abordaria a temática em diferentes fases de sua carreira, produzindo posteriormente histórias ambientadas no sertão e inspiradas no universo dos cangaceiros.<re>«SERTÃO VERMELHO - LAMPIÃO EM QUADRINHOS». UNIVERSO HQ. 1 de dezembro de 2004. Consultado em 11 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2025 </ref>

Outra editora que se destacou no gênero faroeste foi a EBAL (Editora-Brasil América), responsável por diversas antologias do gênero. Embora a editora tenha publicado vasto material estrangeiro,[102][46] em algumas ocasiões também recorreu a autores locais para suprir demandas do mercado ou criar personagens próprios.

A EBAL registrou o nome Zorro e publicou tanto o Lone Ranger, conhecido como Zorro nos quadrinhos desde 1938,[135] quanto o Zorro original de Johnston McCulley.[136] Em 1954, o haitiano André LeBlanc adaptou o romance Os Cangaceiros de José Lins do Rego para a revista Edição Maravilhosa.[137]

Em 1970, a Taika lança Pancho de Pedro Mauro,[138] que ganha um gibi no ano seguinte, Pancho usava um poncho tal qual o Pistoleiro sem nome, interpetado por Clint Eastwood nos filmes dirigidos por Sergio Leone.[104] Após décadas trabalhando com publicidade e storyboards, Pedro Mauro se tornaria colaborador da Sergio Bonelli Editore,[139] entre 2017 e 2019, ilustrou a Trilogia Gatilho, escrita por Carlos Estefan em 2025, ilustrou A Cangaceira, baseado em um roteiro de filme Luiz Chiaradia, Mans Reimer e Matheus Ronn, a HQ ganho um novo roteiro adaptado por Luiz Chiaradia, o quadrinho traz Pedro Mauro e seu irmão Jairo Moreno na quadrinização, essa é primeira HQ sobre o cangaço de Pedro Mauro.[140]

Nos anos 1970, a EBAL encomendou a Milton Sardella e Floriano Hermeto de Almeida Filho (FHAF), conhecido pelas histórias do herói O Judoka histórias do Lone Ranger, porém, apenas as de Sardella foram publicadas.[141][142] FHAF também produziu, a pedido da editora, uma aventura de cangaço protagonizada por Lampião e Maria Bonita, que permaneceria inédita por décadas.[142] Em 2018, o jornalista Francisco Ucha lançou uma campanha de financiamento coletivo no site Catarse para publicar o álbum O Judoka por FHAF.[143][144] O livro reuniu as cinco histórias do herói produzidas por Floriano nos anos 1970, além de uma entrevista com o autor, um panorama histórico e cultural da época e 15 páginas inéditas, entre elas, a aventura de cangaço com Lampião e Maria Bonita, que finalmente veio a público. Em novembro do mesmo ano, o livro foi publicado pela Avec Editora.[142]

Em 1979, a EBAL encomendou a produção de Zorro, Capa & Espada para Franco de Rosa,[145], Arthur Garcia,[146] Paulo Hamasaki[147] e Sebastião Seabra.[148]

Ainda nos anos 1970, Franco de Rosa e Sebastião Seabra produziram Capitão Caatinga, uma tira publicado no extinto jornal Notícias Populares.[149]

Zorro também ganhou versões na editora Abril, com roteiros de Ivan Saidenberg e Primaggio Mantovi e desenhos de Walmir Amaral e Rodolfo Zalla, em histórias inspiradas na série da Disney e publicadas em antologias da empresa.[150] Na década de 1980, Franco de Rosa lança Zorro pela editora Maciota/Press.[145]

Nos anos 1950, a Vecchi já havia publicado as séries italianas Pecos Bill, Pequeno Xerife e Xuxá,[151] mas foi nas décadas seguintes que a editora consolidou sua presença no gênero. Já nos anos 1970, a Vecchi, que vinha publicando no Brasil os quadrinhos italianos da Sergio Bonelli Editore, incluindo Tex (o faroeste mais famoso da editora), Ken Parker, Zagor e Judas, também lançou mão do gênero em suas publicações. A série Judas contava a história de Allan Scott, um pistoleiro que usava o codinome Judas, a editora, no entanto, alterou o título para Chacal. Após 16 edições, o escritor de livros de bolso Antônio Ribeiro criou um novo Chacal, dando ao personagem o nome Tony Carson, tal qual ele assinava seus livros publicados pela Editora Monterrey, o cowboy teve histórias ilustrada pelo espanhol Jordí Martinez com capas de Antonino Homono Baliero.[152][153] A Vecchi também publicou o faroeste Chet, criado pelos irmãos Wilde e Watson Portela, Chet teve histórias ilustradas por Eduardo Vetillo, Ofeliano de Almeida e Antonino Homobono[153] e Cyprus Hook de Júlio Emilio Braz, que teve a primeira história ilustrada por Homobono e publicada na revista Histórias do Faroeste,[154], uma antologia do gênero, as primeiras edições traziam material estrangeiro por autores como Giovanni Luigi Bonelli, Jack Kirby, Héctor Germán Oesterheld, Ivo Milazzo, Giancarlo Berardi, trazendo personagens como com histórias de Tex, Jesse James, Matt Dilon, Durango Kid, Louco Sexton mas depois passou a ter quadrinhos de autores brasileiros, além de Julio Braz e Homobono, foram publicados Julio Shimamoto, Flavio Colin, Jordí e Antônio Ribeiro, entre outros.[155]

Cyprus Hook ganharia posteriormente um título próprio pela Editora Press, com desenhos de Ofeliano de Almeida.[104] Anos mais tarde, Judas seria publicado com seu nome original pela Editora Record, enquanto Chacal ganharia edições independentes pela Nova Sampa e pela BLC Edições.[104]

Os anos 1970 também foram marcados por inovações e novas personagens. Pela Editora O Livreiro, Edmundo Rodirgues produziu histórias do cowboy Máscara de Prata, Jim Bowie, o índios Geronimo, Lobo Negro e o xerife Johnny Corisco.[156] Claudio Seto lançou pela Grafipar, a personagem Katy Apache,[104] uma brasileira criada entre índios apaches, com apelo erótico. A ideia inicial era publicar o faroeste italiano Swea Otanka,[157] sobre uma índia loira descendente de vikings,[158] Katy lembrava a personagem de Raquel Welch no filme Hannie Caulder (1971), já que também vestia apenas um poncho. Seto desenhou apenas as primeiras histórias, sendo substituído por Mozart Couto, também pela Grafipar, Mozart Couto publicou Jackal e Watson Portela ilustrou Rex, este inspirado em Jonah Hex da DC Comics.[104] Franco de Rosa publicou os personagens Fargo e o anti-herói Jack Caim.[159] A editora também lançar uma antologia com temática regionalista chamada Sertão & Pampas.[160]

Ainda na década de 1970, a Noblet republicou as histórias da série O Gaúcho, de Julio Shimamoto, na revista do cowboy italiano Carabina Slim.[105]

Nos anos 1980, a D-Arte publicoua revista Johnny Pecos, de Rodolfo Zalla, onde também haviam histórias de Django, clássico personagem dos spaghettis italianos.[104] Uma nova HQ baseada em uma celebridade: Beto Carrero, que naquele ano apareceu em Os Trapalhões no Reino da Fantasia e ganhou um gibi publicado pela CLUQ, com roteiros de Gedeone Malagola e Hélio do Soveral com desenhos de Eugênio Colonnese,[161] diferentemente dos cowboys tradicionais, Carrero não usava armas de fogo, utilizando um chicote.[162]

Assim com ocorria nos Estados Unidos, onde astros do western cinematográfico e musical, como Gene Autry, eram adaptados para os quadrinhos, o Brasil também produziu versões ficcionalizadas de artistas nacionais. Os cowboys brasileiros Bob Nelson e Beto Carrero, por exemplo, tiveram suas imagens transpostas para histórias em quadrinhos, nas quais assumiam o papel de heróis do gênero faroeste.

Em 1988, a Cedibra publica o gibi Colt 45, trata-se de quadrinizações de histórias dos livros de bolso publicados pela editora escritos por Marcial Lafuente Estefania,[163] a revista teve desenhos de Rodval Matias e durou apenas 4 edições.[164]

Após trabalhar na Itália em títulos como La Furia del West, Davy Crockett, Pecos Bill e Il Piccolo Ranger, Wilson Vieira retornou ao Brasil e passou a roteirizar obras de western e cangaço. Entre seus trabalhos, destacam-se os álbuns Cangaceiros - Homens de Couro (2004), ilustrado por Eugênio Colonnese[165] e Gringo – O Escolhido, ilustrado por Aloísio de Castro.[166]

Em 2005, Paulo Hamasaki lança oCavaleiro do Oeste, último quadrinho publicado pela Noblet,[167] décadas antes, onde Hamasaki foi diretor de arte.[168] No mesmo ano, a editora independente Opção2 lançou a revista Billy the Kid & outras histórias.[169] A revista tem a colaboração de artistas profissionais como Adauto Silva, Elmano Silva, Luiz Saidenberg, Julio Shimamoto, Worney Almeida de Souza, Vilachã, Laudo Ferreira, Omar Viñole, Tony Fernandes, Primaggio Mantovi,[170] Walmir Amaral,[171]entre outros.[172]

Em 2010, a editora As Américas lançou Apache - Um Western Diferent, de Tony Fernandes.[173] A revista contava a história de uma freira mestiça (de ascendência branca e indígena) que assume a identidade da cowgirl vingativa Apache.[174] A publicação também trazia Springville, criada pelo quadrinista Alberto Jorge de Almeida Lima (Beto).[175] Após seis edições, Tony Fernandes passou a publicar a obra de forma independente.[176]

Em 2014, o cineasta e roteirista Felipe Cagno lançou, via financiamento coletivo no Catarse, a coletânea 321 Fast Comics. Entre as HQs publicadas estava The Few And Cursed (Os Poucos & Amaldiçoados), escrita por ele, com desenhos de Fabiano Neves. A história se passa em um universo alternativo pós-apocalíptico: em 1840, 90% da água do planeta desapareceu, fazendo com que a humanidade não evoluísse além do século XIX. A série é protagonizada por uma cowgirl chamada apenas de Ruiva.[177]

Após a coletânea, Cagno passou a lançar a série solo também via Catarse.[178] Além da série principal, publicou histórias curtas escritas e desenhadas por diversos autores convidados, como Luke Ross, José Luis, Pedro Mauro, Andrew Dalhouse, Adriano Di Benedetto, Sam Hart, Felipe Watanabe e Geraldo Borges.[179]

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