Tigranes (Tigrānēs; Τιγράνης, Tigránēs) é a forma latina e grega surgida do persa antigo *Tigrana (*Tigrāna) e do acadiano Tigranu (𒋾𒅅𒊏𒉡, Tīgranu). Hračʻya Ačaṙyan propôs que derivou por haplologia de *tigrarāna, supostamente significando "lutar com flechas" (cf. o persa antigo 𐎫𐎡𐎥𐎼𐎠𐎶, tigrām, “pontiagudo”, acusativo singular feminino),[3] que Ačaṙyan entendeu que derivou do avéstico𐬙𐬌𐬖𐬭𐬀 (tiγra, "flecha") e sânscritoतिग्म (tigmá, "pontiagudo") e do avéstico 𐬭𐬇𐬥𐬀 (rə̄na, "batalha, luta") e sânscrito रण (raṇa, "batalha")).[4] Ele também comparou o grego antigo Tigrapates (Τιγραπάτης, Tigrapátēs, literalmente “mestre das flechas”) e, para a haplologia, o nome avéstico 𐬬𐬍𐬭𐬁𐬰 (vīrāz) de *vīra-rāz-.[5] J̌ahukyan considerou a explicação improvável.[6] É mais provável que decorra do iraniano antigo Tigrana (*Tigrāna-), uma formação patronímica com o sufixo *-āna- do nome *Tigra (*Tigrā-; lit. “delgado”), refletido no elamita Tigra (𒋾𒅅𒊏, Tīgra) e acadiano Tigra (𒋾𒅅𒊏𒀪, Tīgraʾ), da palavra discutida acima para "pontiagudo".[7][8][9] O nome foi tardiamente registrado em armênio como Tigrã (Տիգրան, Tigran).[4]
Quando seu sogro sofreu seguidas derrotas para Lúculo na Terceira Guerra Mitridática, recebeu-o em sua corte, acabando por irritar os romanos. Vale notar que nesse momento encontrava-se em campanha militar no sul, próximo ao Antigo Egito. De volta ao seu império, recusou-se a entregá-lo, entrando em combate tanto com tropas de Lúculo quanto, posteriormente, de Pompeu. Sofreu derrotas estrondosas frente aos dois, inclusive em situações em que possuía grande vantagem numérica como na Batalha de Tigranocerta na qual supostamente teria dito ao ver as forças romanas: "Se são embaixadores, são muitos. Se são soldados, são poucos"[12]. Após sua derrota final frente a Pompeu, recebeu permissão para permanecer com seu reino na condição de torna-lo um Estado-tampão cliente de Roma, perca territorial de locais conquistados e o pagamento de uma vultuosa multa[13]. Governou nessas condições até a sua morte.
Referências
↑Tigranes II The Great. (2007). Encyclopedia Britannica. Acesso 20 de abril, 2007, da Encyclopedia Britannica Online: [1]
↑Manaseryan, R. Տիգրան Բ (Tigran II). Soviet Armenian Encyclopedia, vol. xi. Erevã, Armenian SSR, 1985, 687-698
↑Hind, John G.F. (1994). "Mithridates". In Crook, J.A.; Lintott, Andrew; Rawson, Elizabeth (eds.). The Cambridge Ancient History. Vol. IX: The Last Age of the Roman Republic, 146-43 B.C. Cambridge University Press. pp. 129–164. ISBN 978-0521256032. [S.l.: s.n.]
↑Scullard, H.H. (1959). From the Gracchi to Nero: A History of Rome from 133 B.C. to A.D. 68. New York: F.A. Praeger.
Bibliografia
Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Տիգրան». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
Bartholomae, Christian (1904). Altiranisches Wörterbuch [Old Iranian Dictionary]. Estrasburgo: K. J. Trübner
J̌ahukyan, Geworg (1981). «Movses Xorenacʻu "Hayocʻ patmutʻyan" aṙaǰin grkʻi anjnanunneri lezvakan aġbyurnerə [The Linguistic Origins of the Proper Names in the First Book of Movses Khorenatsi's 'A History of the Armenians']». Patma-banasirakan handes [Historical-Philological Journal] (3)
Schmitt, Rüdiger (2011). Iranische Personennamen in der griechischen Literatur vor Alexander d. Gr. (Iranisches Personennamenbuch. Band 5, Faszikel 5A. Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências
Schmitt, Rüdiger (2014). Wörterbuch Der Altpersischen Königsinschriften [Dictionary of Old Persian Royal Inscriptions]. Viesbade: Reichert
Tavernier, Jan (2007). «*Tigra-». Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Lexicon of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts. Lovaina e Paris: Peeters Publishers
Zadok, Ran (2009). Iranische Personennamen in der neu- und spätbabylonischen Nebenüberlieferung (Iranisches Personennamenbuch, Band 7, Faszikel 1B. Viena: Editora da Academia Austríaca de Ciências