Gomil

Gomil
Tipo
vessel (d)
Características
Material
Composto de
Utilização
Uso
Lavagem das mãos
personal hygiene (en)

Gomil, também denominado agomil, é um jarro bojudo, de boca estreita e geralmente com asa, destinado sobretudo a conter ou verter água para lavagens. Tradicionalmente associado ao lavatório, surge muitas vezes em conjunto com uma bacia, que recolhia a água vertida durante a lavagem das mãos ou da face.[1][2]

A peça aparece em contextos domésticos, cerimoniais e litúrgicos, podendo ser fabricada em faiança, porcelana, prata ou outros materiais. Em coleções museológicas portuguesas, o termo designa tanto peças de ourivesaria como exemplares cerâmicos de uso doméstico ou de aparato.[3][4]

Etimologia

A forma gomil deriva de agomil. A Academia das Ciências de Lisboa regista a origem no latim reconstruído *aquimantile, a partir de aquamanile, termo relacionado com recipientes destinados à água e à lavagem das mãos.[1][2]

Para mais de um exemplar, é usada a forma plural, gomis.[5]

Descrição e uso

O gomil distingue-se por apresentar corpo bojudo, boca estreita e asa, forma adequada ao transporte, contenção e vazamento controlado de água.[1][2] Por definição, os gomis destinavam-se a conter água para a lavagem das mãos, razão pela qual eram frequentemente associados a bacias destinadas a recolher a água vertida.[4] O conjunto formado por gomil e bacia, ou gomil e lavanda, podia ser usado tanto em contexto doméstico como em contexto litúrgico ou cerimonial.[6]

No uso doméstico, o gomil integrava os objetos associados à higiene pessoal antes da generalização da água canalizada no interior das habitações. A água era vertida do jarro para as mãos ou para a face, sendo recolhida pela bacia. Em contextos mais ricos, o conjunto podia constituir também objeto de aparato, produzido em materiais preciosos ou com decoração elaborada.[4][3]

Materiais e tipologias

Os gomis foram produzidos em diferentes materiais, de acordo com o contexto de uso e com a condição social dos proprietários. Em coleções portuguesas encontram-se exemplares em faiança, porcelana, prata e outros materiais cerâmicos ou metálicos.[7][3]

Em ourivesaria, o gomil podia ser combinado com uma lavanda, designação dada ao recipiente que recebia a água derramada. O Museu de Alberto Sampaio conserva, por exemplo, um conjunto de gomil e lavanda em prata, associado ao cerimonial religioso e caracterizado por decoração de folhagens e enrolamentos.[3] O Paço dos Duques de Bragança descreve igualmente o gomil como contentor de líquido e a lavanda como contentor da água vertida, assinalando o uso do conjunto tanto na liturgia religiosa como em âmbito profano.[6]

Na cerâmica e na faiança, os gomis integram a produção de peças utilitárias e decorativas. O Museu Quinta das Cruzes conserva exemplares em faiança, com descrições formais que incluem base circular, pé alto, bojo decorado, colo pintado e asa em forma de "S" invertido.[7] Em alguns casos, estes objetos podem surgir associados a bacias do mesmo conjunto, formando aparelhos de lavatório.

O gomil encontra-se representado em várias coleções museológicas portuguesas, quer como objeto isolado, quer como parte de conjuntos de lavatório. O Museu de Lisboa conserva um gomil em faiança atribuído à Real Fábrica da Bica do Sapato, unidade cerâmica lisboeta ativa entre o final do século XVIII e o início do século XIX.[8] O Catálogo Coletivo dos Museus dos Açores identifica igualmente um gomil em faiança, descrito como objeto de toilette, de produção portuguesa não marcada e atribuído à Real Fábrica da Bica do Sapato, datado de cerca de 1796–1800.[9]

O Museu Quinta das Cruzes conserva diversos gomis em faiança, incluindo exemplares associados à produção portuguesa dos séculos XVIII e XIX.[7] O portal Cultura Madeira apresenta também gomis em contexto de divulgação patrimonial, explicando a sua função como jarros bojudos e de boca estreita destinados à lavagem das mãos.[4]

Referências

  1. a b c «gomil ou agomil». Dicionário da Língua Portuguesa. Academia das Ciências de Lisboa. Consultado em 14 de maio de 2026 
  2. a b c «gomil». Infopédia — Dicionário da Língua Portuguesa. Porto Editora. Consultado em 14 de maio de 2026 
  3. a b c d «Gomil e Lavanda». Museu de Alberto Sampaio. Consultado em 14 de maio de 2026 
  4. a b c d «Gomis». Cultura Madeira. Consultado em 14 de maio de 2026 
  5. «gomis». Infopédia — Dicionário da Língua Portuguesa. Porto Editora. Consultado em 14 de maio de 2026 
  6. a b «Gomil». Paço dos Duques de Bragança. Consultado em 14 de maio de 2026 
  7. a b c «Gomil». Museus da Madeira. Museu Quinta das Cruzes. Consultado em 14 de maio de 2026 
  8. «Gomil». Acervo do Museu de Lisboa. Museu de Lisboa. Consultado em 14 de maio de 2026 
  9. «GOMIL (PGRA-PS0011a)». Catálogo Coletivo dos Museus dos Açores. Consultado em 14 de maio de 2026 

Ligações externas

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